sábado, 30 de janeiro de 2010

Minoria de chineses usa redes privadas para acesso a sites proibidos


28/01/2010

RALPH JENNINGS
da Reuters, em Pequim


As redes virtuais privadas (VPN) estão avançando discretamente na China como forma de acesso a sites proibidos pelo governo e, ao menos enquanto esses serviços pagos não ganham mais popularidade, as autoridades não estão interferindo.

As VPN criadas para uso seguro de internet em escritórios se espalharam no último semestre entre moradores estrangeiros no país e chineses interessados em tecnologia, depois do bloqueio ao popular site de redes sociais Facebook.

O Twitter e o YouTube também estão bloqueados na China, que usa uma barreira firewall de filtragem a fim de impedir o acesso dos usuários de internet a conteúdo de sites estrangeiros que represente contestação ao Partido Comunista.

A ascensão das VPNs surge enquanto a China defende sua censura sobre a internet, depois que o maior serviço mundial de buscas, o Google, ameaçou fechar seu site chinês Google.cn, devido à censura e a um grave ataque de piratas virtuais.

"Desde que a VPN opere de fora da China continental, não deve haver problema", disse Danny Levinson, editor do site ChinaTechNews.com. "Usamos uma VPN própria e ela funciona bem."

As autoridades chinesas raramente bloqueiam as VPNs baseadas no exterior, e é provável que não interfiram com elas enquanto o número de usuários se mantiver pequeno, avaliou um veterano analista de tecnologia da informação em Pequim.

Válvula de escape

"É como uma pequena válvula de escape", disse o analista. "Mas se o exército de internautas chineses começar a usar esse tipo de coisa, haverá problemas."

O governo age agressivamente contra os servidores proxy gratuitos, que são mais comuns e também podem ser usados para desbloquear sites proibidos. As VPN estrangeiras pagas só foram bloqueadas uma vez, antes do Dia da Nação, em outubro do ano passado, dizem os usuários.

Cerca de 10 serviços estrangeiros de VPN são populares na China, mas não existem estimativas quanto ao número de usuários, disseram analistas chineses de tecnologia da informação.

As VPNs funcionam como uma camada adicional por sobre as redes de computadores mais amplas, e usam cifragem para tornar mais seguro o tráfego privado, no ambiente menos seguro da internet.

FONTE: www.folha.uol.com.br

Sites clones de YouTube e Google contestam censura na China

Goojje e YouTubecn fazem paródia de sites americanos em meio a discussões sobre censura à internet.

28/01/2010

BBC Brasil

Sites que imitam propositadamente o Google e o YouTube foram lançados na China como uma forma de protesto contra a censura à internet no país.

Um desses sites, batizado de Goojje, usa um logotipo e um layout semelhantes ao do Google, e serve como ferramenta de buscas e fórum entre usuários.

O novo site traz frases de apoio ao Google, com quem o governo chinês vem travando uma disputa por causa de acusações de cyberataques e censura.

Segundo a imprensa chinesa, o novo site foi fundado por estudantes universitários, mas a ferramenta avisa que filtra seus resultados de acordo com a legislação chinesa. Entre o conteúdo que o governo chinês considera "delicado", estão termos que se relacionem a temas como os protestos da Praça da Paz Celestial em 1989, a independência do Tibete e o movimento Falun Gong.

Já o site YouTubecn.com utiliza vídeos e conteúdo do YouTube original, que é proibido na China.

Disputa

A China vem travando uma disputa com o Google desde que, no dia 12 de janeiro, a gigante americana disse que hackers tentaram se infiltrar em contas de seu serviço de email pertencentes a ativistas de direitos humanos chineses, em um "ataque altamente sofisticado" originado no país asiático.

Depois disso, o Google chegou a anunciar que iria parar de censurar o conteúdo exibido no site na China e que estava considerando abandonar as operações no país.

Mas em seguida, voltou atrás e disse que permaneceria na China se o governo se tornar mais flexível com a censura.

O Google não se pronunciou sobre o lançamento do novo site.

FONTE: www.estadao.com.br

China intensifica defesa dos controles sobre a internet


26/01/2010

CHRIS BUCKLEY
da Reuters


A China ampliou na segunda-feira (25) seu ataque às críticas dos Estados Unidos contra a censura da internet, intensificando uma disputa que colocou o Google no meio de uma desavença política entre as duas potências globais.

A China reforçou sua defesa das restrições à internet, quase duas semanas depois de o Google, provedor do maior mecanismo de buscas do mundo, ter dito que queria o fim da censura a seu site chinês Google.cn e que estava alarmado com ataques de piratas virtuais dentro do país.

As queixas do Google encontraram respaldo na Casa Branca, mas a China rebateu acusando Washington de "mentiras" e usar a internet para apoiar a subversão no Irã.

A disputa vem reforçando os atritos entre Pequim e Washington, que já se desentendem em relação ao comércio, às vendas norte-americanas de armas para o Taiwan e aos direitos humanos.

A intensidade crescente da disputa em torno da internet pode reduzir a margem de que os dois lados dispõem para recuarem sem alarde enquanto procuram cooperar sobre questões financeiras e diplomáticas mais amplas.

"Quanto mais este caso assumir importância política de alto nível maior para o governo chinês, maior é a probabilidade de o governo se ater à sua posição", comentou David Wolf, presidente da empresa Wolf Group Asia, sediada em Pequim, que assessora investidores nos setores de mídia e de telecomunicações na China.

"O governo chinês não pode permitir que seja visto como estando recuado sobre uma questão tão fundamental", disse Wolf.

Hillary

Na semana passada, a secretária de Estado dos EUA, Hillary Clinton, exortou a China e outros governos autoritários a acabaram com a censura à internet. Sua declaração suscitou uma repreensão aguda de Pequim.

Depois de o Google fazer suas primeiras críticas, Pequim se calou. Agora, autoridades chinesas resolveram contra-atacar Washington novamente.

Na crítica mais recente, um porta-voz do Escritório de Informações do Conselho de Estado chinês disse que a China "proíbe o uso da internet para subverter o poder do Estado e destruir a unidade nacional, para incitar ódios e divisões étnicas, para promover seitas e para distribuir conteúdos pornográficos, obscenos, violentos ou terroristas".

As declarações da pessoa, cujo nome não foi citado, foram divulgadas no site do governo central chinês (www.gov.cn).

"A China tem ampla base legal para punir tais conteúdos nocivos, e não há lugar para dúvidas quanto a isso. Isto é completamente diferente da chamada restrição à liberdade na internet", disse o porta-voz.

As declarações do governo chinês foram acompanhadas por declarações no jornal oficial, tendo Washington como alvo.

FONTE: www.folha.uol.com.br

ONGs chinesas sofrem novo ataque de piratas virtuais; governo é acusado


25/01/2010

da Efe, em Pequim

Sites de grupos de direitos humanos e ativistas chineses foram vítimas de um novo ataque por parte de piratas virtuais de origem desconhecida nos últimos dias, informou nesta segunda-feira (25) uma das entidades atacadas, a ONG Chinese Human Rights Defenders (CHRD).

Os outros sites são os do grupo pela liberdade de expressão Independent Chinese PEN (ICPC), New Century News, Canyu e Civil Rights and Livelihood Watch (CRLW), que foram atacados no fim de semana.

Os ataques contra o site da CHRD, que começaram na tarde de sábado e terminaram ontem de manhã, chegaram a paralisar o serviço, que ficou sem acesso, informou a ONG em comunicado.

Segundo o provedor dessa organização, que defende dissidentes políticos, a frequência do ataque foi de 2 GB por segundo, o ataque mais intenso já sofrido por um provedor. A organização ainda não pôde localizar a fonte do ataque.

Tanto esta ONG como a CRLW são sediadas na China, enquanto a ICPC é uma organização de escritores e a New Century News e a Canyu são sites de notícias, todos administrados por ativistas chineses.

Governo acusado

Um especialista em telecomunicações associado ao CHRD acredita que "é preciso dedicar muito tempo para preparar um ataque assim" e por isso não acha que "qualquer pirata virtual tenha este tipo de capacidade. O principal suspeito destes ataques é o governo chinês".

No entanto, na semana passada, um porta-voz do Ministério de Exteriores chinês negou que seu governo tivesse relação com esses ciberataques e assegurou que as leis chinesas proíbem a pirataria na internet. Hoje, a China reiterou não envolvimento com os ataques.

Esse é o mais recente episódio na disputa entre usuários e empresas de internet desde 12 de janeiro passado, quando o gigante de buscas Google denunciou que contas de e-mail particulares de ativistas, jornalistas e empresários tinham sofrido um "ciberataque".

O Google ameaçou deixar a China se o regime comunista não acabasse com a estrita censura na internet, embora na semana passada a empresa afirmou que permanecia no país asiático e que estava negociando com as autoridades.

A CHRD indica em seu comunicado de hoje que seu site é alvo comum desses "ciberataques". Segundo o comunicado, isso ocorre sobretudo em épocas "delicadas", como a atual, na qual os ativistas estão recebendo duras penas de prisão, como o intelectual Liu Xiaobo, ou desapareceram, como o advogado Gao Zhisheng.

Os especialistas afirmam que este passo para trás do regime chinês se deve à insegurança do governo perante a próxima transferência de poder, que acontecerá em 2012, e a um aumento do descontentamento social.

FONTE: www.folha.uol.com.br

segunda-feira, 25 de janeiro de 2010

Seis canais de TV são censurados na Venezuela


24/01/2010

da France Presse, em Caracas
da Efe, em Caracas

Seis redes de televisão, entre elas a RCTV (Radio Caracas Televisión Internacional), foram censurados na Venezuela por não terem respeitado um recente decreto governamental, anunciou um porta-voz da rede na manhã deste domingo. Os outros canais censurados são Ritmo Son, Momentum, America TV, American Network e TV Chile, informou o presidente do consórcio das redes de TV a cabo, Mario Seijas.

"Nossos programas foram interrompidos" pouco depois da meia noite (2h em Brasília), sem qualquer aviso prévio, declarou à agência de notícias France Presse a diretora de comunicação da rede, Gladys Zapiain.

A Radio Caracas Televisión Internacional é uma das 24 emissoras a cabo que o Governo de Chávez classificou na quinta-feira passada como nacionais, o que lhes obriga a ajustar sua programação às normas legais que regem os canais em sinal aberto.

O governo aprovou recentemente um novo decreto que obriga 24 canais de TV a cabo venezuelanos a transmitir os discursos de Chávez. Até então, essa obrigação se referia apenas às redes de TV abertas e às rádios do país.

Momentos antes de o sinal sair do ar, o canal privado divulgou um comunicado no qual denunciou que o governo, através da Conatel (Comissão Nacional de Telecomunicações), tinha se dirigido aos serviços de difusão por assinatura para solicitá-los que excluíssem a RCTV internacional de sua oferta de canais.

"Essa conduta da Conatel é absolutamente ilegal já que, se o governo considera que a RCTV cometeu alguma infração, o que deve fazer é abrir um procedimento administrativo contra o canal, dando-lhe a oportunidade de exercer seu direito à defesa, como ordena e garante a Constituição", diz a nota.

O responsável da Conatel e também ministro de Obras Públicas, Diosdado Cabello, disse que as operadoras de televisão por assinatura deviam excluir de sua oferta os canais considerados "nacionais" que não cumpram com a lei, que obriga, entre outras coisas, a submeter-se aos pronunciamentos presidenciais.

Cabello, que não citou a RCTV, afirmou à imprensa que não estava "fechando ninguém".

O canal recorreu da decisão da autoridade audiovisual venezuelana pela qual deixou de ser catalogada como "canal internacional" para ser "canal nacional". A legislação venezuelana estabelece que um canal será considerado "internacional" se 30% de sua programação é de origem estrangeira, e "nacional" se a percentagem de programas transmitidos produzidos na Venezuela superar 70%.

Fonte:
www.folha.uol.com.br

quarta-feira, 20 de janeiro de 2010

China diz que Google "não é exceção" para cumprir leis do país


19/01/2010

da Efe, em Pequim

O governo chinês mencionou o Google diretamente na polêmica entre as autoridades chinesas e a empresa, e ressaltou que a companhia americana "não é uma exceção" ao dever cumprir as leis do país.

"As firmas estrangeiras devem respeitar as leis e regulações da China, respeitar as tradições e costumes do público chinês e assumir as responsabilidades sociais correspondentes, e, certamente, o Google não é uma exceção", disse nesta terça-feira (19), em entrevista coletiva, Ma Zhaoxu, porta-voz do Ministério de Assuntos Exteriores chinês.

Na quinta-feira (14), a China havia defendido a censura no país, mas sem menção direta ao Google.

A empresa começou a polêmica após comprovar que várias contas de e-mail de empresas, dissidentes políticos e jornalistas estrangeiros que hospeda foram "hackeadas".

"As acusações foram feitas pelo Google por sua conta. A China é contra os ataques piratas e, de fato, a China foi o principal alvo dos piratas virtuais em 2008", lembrou o porta-voz chinês.

Repensando

O Google decidiu repensar sua estratégia na China, onde está presente há quatro anos em versão chinesa, ao entender que não estão sendo cumpridos os objetivos com os quais se implantou no país e que levaram a empresa a bater de frente com a censura governamental.

A empresa anunciou que falaria com as autoridades chinesas sobre a possibilidade de operar um serviço de busca sem censura dentro da China e, se isso fosse impossível, então fecharia o Google.cn, sua versão chinesa.

O porta-voz oficial Ma Zhaoxu não quis confirmar se já houve esses contatos.

Ma também disse que as acusações emitidas da Índia após ter recebido ataques informáticos invasivos, supostamente também a partir da China, "não têm base".

As suspeitas indianas se juntam às denunciadas nesta segunda-feira (18) pela ONG Repórteres Sem Fronteiras (RSF), que expressou, através de um comunicado, sua "indignação e grande preocupação" após os ataques contra as contas do Gmail de vários jornalistas estrangeiros que trabalham na China.

FONTE:
www.folha.uol.com.br

domingo, 17 de janeiro de 2010

Será que o Google é maior do que a China?


por Pedro Doria

Após longos anos de uma relação tortuosa, o Google decidiu entrar em confronto com o governo chinês. Cogita, inclusive, deixar o país.

Oficialmente, a administração da empresa se irritou quando seu serviço de e-mail, o Gmail, sofreu um ataque de hackers que buscavam ler as mensagens de ativistas que incomodam Beijing. Que o ataque partiu do governo chinês foi confirmado na quinta-feira, pela consultoria de segurança iDefense.

Extraoficialmente, quer dizer outra coisa. Um dos jovens fundadores do Google, Sergey Brin (ao lado de Larry Page), ganhou sua velha briga com o principal executivo da empresa, Eric Schmidt.

Brin nasceu na Rússia ainda soviética. Tem horror a ditaduras. Schmidt foi contratado quando ainda havia dúvidas sobre o futuro do Google. Os investidores tinham medo de que, na mão dos jovens criadores, a empresa naufragasse. Contrataram um executivo. Os três se dão bem, mas vez por outra há conflitos entre os valores dos fundadores e o pragmatismo de negócios do executivo. A China era um desses casos.

No site Google.cn estava uma versão modificada do sistema de buscas, obediente à censura chinesa, sem Dalai Lama ou menção ao massacre da Praça Tiananmen.

O Google explicava que, quando decide entrar num país, obedecia suas leis, não importa quais. Na China, bem ou mal, prestava um serviço. Melhor um Google cheio de informações, ainda que incompleto, do que Google nenhum.

Agora, os céticos argumentam que o Google não estava tão bem assim na China. O maior site de buscas, lá, é disparado o chinês Baidu. O negócio era pequeno, abandoná-lo não dói no bolso.

Só que não é verdade. Segundo a empresa StatCounter, o Google vinha crescendo sensivelmente. Baidu, que contava com 71% do mercado em agosto passado, já encostava nos 55%, em dezembro. No mesmo período, o Google cresceu de 27% para 43%. Estão, surpreendentemente, abandonando o negócio em um de seus melhores momentos.

Até o momento em que fez seu radical anúncio a respeito da China, o Google vinha apanhando da imprensa. Coisa rara: em geral, a maioria dos comentaristas têm a empresa em boa conta. Mas o lançamento de seu celular, o Nexus One, semana passada, foi um desastre. Além de o aparelho ser instável, o atendimento ao consumidor anda terrível.

Embora seja conveniente, ninguém ameaça abandonar a economia que mais cresce no mundo apenas para se livrar de um problema passageiro de relações públicas.

A China é uma ditadura sofisticada. O chinês que souber driblar os mecanismos de censura eletrônica o faz. O governo tem consciência disso, está vigilante, mas não interfere. O importante é que o grosso da população chinesa da rede não se depare com o que não deve. Se alguns encontram material proibido, o governo finge que não vê. Só persegue mesmo quem deseja fazer algo a respeito da informação. Os ativistas são os únicos perseguidos.

O Google não é o primeiro a enfrentar a China. A Automattic, responsável pelo software WordPress, se recusa a censurar seu site de blogs gratuitos WordPress.com. Assim, deixa de ter o tráfego das centenas de milhões de chineses.

Mas são poucas as exceções. Ao declarar que não vai tolerar tentativas do governo chinês de conseguir informação que possa comprometer gente de oposição ao governo, o Google deixa mal quem continua por lá. O exemplo mais notável é o Yahoo, que inadvertidamente já foi responsável pela prisão de pelo menos um blogueiro. Mas também a Microsoft parece fraca.

A questão que fica: será que o Google tem tanto poder quanto um país? Consegue dobrar a China? A ver.

Fonte: www.estadao.com.br